O crescimento das plataformas de apostas esportivas no Brasil trouxe junto uma preocupação cada vez mais evidente: os riscos do vício em apostas e seus impactos na saúde mental.
Como medida de enfrentamento ao problema, o governo federal apresentou um pacote de sete ações voltadas à prevenção, redução de danos e apoio a quem já enfrenta dificuldades com o jogo.
As medidas foram elaboradas por um grupo de trabalho com representantes dos ministérios da Saúde, Esporte, Fazenda e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. As sete ações do plano O pacote reúne sete iniciativas principais: criação de um modelo de autoteste de saúde padronizado; plataforma nacional de autoexclusão das bets; formação de 20 mil profissionais do SUS para atendimento especializado; definição de diretrizes mínimas para acolhimento no sistema público; materiais educativos para atletas sobre integridade esportiva; campanhas de comunicação sobre prevenção e redução de danos; criação de um comitê permanente para monitorar e propor novas medidas. Autoteste e plataforma de autoexclusão Entre as novidades está a criação de um modelo de autoteste de saúde padronizado.
A proposta é que qualquer pessoa possa avaliar seus hábitos de jogo e identificar possíveis sinais de risco de vício em apostas ou de comportamento problemático.
Esse recurso funciona como uma ferramenta de reflexão individual e pode ser um primeiro passo para buscar ajuda.
Outra iniciativa é a criação de uma plataforma nacional de autoexclusão.
Diferente das opções já existentes em cada site, essa versão centralizada permitirá ao usuário bloquear de uma só vez o acesso a todas as casas de apostas autorizadas no Brasil.
O CPF também ficará indisponível para novos cadastros e para receber propagandas do setor.
O mecanismo é voluntário, gratuito e tem como objetivo oferecer mais proteção a quem sente dificuldade em controlar o hábito de apostar. Qualificação de profissionais do SUS O plano também prevê a formação de 20 mil profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), vinculada ao SUS.
Eles terão acesso a um curso online de 45 horas para aprender a identificar sinais de comportamento problemático e oferecer um atendimento adequado.
Além disso, o governo vai estabelecer diretrizes mínimas para o acolhimento de apostadores, criando um padrão de cuidado dentro do sistema público de saúde.
Essa iniciativa é considerada essencial, já que o vício em apostas pode trazer diferentes consequências, como: impactos emocionais, endividamento, isolamento social, agravamento de transtornos já existentes. Educação e integridade esportiva O plano de ação não foca apenas no tratamento, mas também na prevenção.
Portanto, segundo o governo, estão sendo preparados materiais educativos direcionados a atletas, com orientações sobre integridade esportiva e sobre os riscos da manipulação de resultados.
A proposta é conscientizar tanto jogadores quanto o público sobre a importância de manter a credibilidade das competições. Campanhas de comunicação e comitê permanente Outra frente envolve campanhas de comunicação para alertar a população sobre os perigos do vício em apostas e estimular práticas de autocuidado.
Essas campanhas serão acompanhadas por um Comitê Permanente de Prevenção e Redução de Danos, responsável por monitorar os avanços e sugerir novas medidas sempre que necessário.
O desafio agora será garantir que essas iniciativas cheguem de forma efetiva aos apostadores e ajudem a reduzir os impactos do vício em apostas e do comportamento de jogo problemático no país. Por Michele Azevedo