
A permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado deve ser definida nos próximos dias em uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, na semana passada. O parlamentar baiano enfrenta uma crescente pressão interna para deixar o cargo.
A investigação da Polícia Federal apura que ele pode ter recebido vantagens indevidas para atuar politicamente a favor do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, como um imóvel, repasses financeiros e dinheiro em espécie. Wagner nega qualquer irregularidade e sustenta que todos os seus bens e movimentações estão devidamente declarados às autoridades.
Mesmo diante da crise, o senador afirmou que não pretende deixar a liderança por iniciativa própria. Em entrevista após a operação, ele declarou que continua na liderança “até que o presidente Lula peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele”.
Wagner também destacou que conversou com Lula logo após a operação e afirmou que seu afastamento não foi tratado pelo presidente. A relação de confiança construída ao longo de décadas entre os dois líderes petistas é vista por aliados como um dos principais fatores que ainda sustentam sua permanência no cargo.
Nos bastidores do governo, porém, cresce a avaliação de que a situação se tornou politicamente delicada. Integrantes do PT e aliados do Planalto defendem que o senador se afaste da função para evitar que a investigação provoque novos desgastes à imagem do governo em um momento de preparação para a disputa eleitoral de 2026.
O deputado federal Rogério Correia (PT-SP), vice-líder do governo na Câmara, disparou que “na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência”.
O ex-presidente do PT José Genoino também defendeu que Wagner deixe o posto e concentre seus esforços na própria defesa, afirmando que “Jaques Wagner tem que entregar o cargo ao presidente Lula”.
A expectativa agora está concentrada no encontro presencial entre Lula e o senador, previsto para ocorrer entre terça (23) e quinta-feira (25). No Palácio do Planalto, a avaliação é que uma conversa por telefone não seria suficiente para tratar de um tema considerado tão sensível para o governo.
Na semana passada, Lula evitou comentar sobre a situação de Jaques Wagner e o governo não se pronunciou sobre a operação que atingiu em cheio seu principal articulador no Seado.
Embora mantenha solidariedade pessoal ao aliado, Lula também analisa os impactos políticos da decisão. Interlocutores do governo entendem que a permanência de Wagner na liderança pode ampliar o desgaste do presidente e oferecer munição à oposição em um período de pré-campanha eleitoral.
Entre os cenários discutidos nos bastidores estão a saída voluntária do senador, uma solicitação direta de Lula para sua substituição ou, em hipótese considerada menos provável, sua permanência no cargo.
Por Guilherme Grandi