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Taxas de juros é ajustada pelo Copom com pressão da inflação

Alta nos preços do petróleo no já levaram a aumento do diesel e Fazenda elevou projeção de inflação para 2026, o que é desafio para Copom.

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Taxas de juros é ajustada pelo Copom com pressão da inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) define nesta semana o rumo da taxa básica de juros da economia, a Selic. Na reunião, que começa nesta terça-feira (17/3) e segue até quarta (18), o colegiado vai deliberar em um cenário fortemente influenciado pela guerra no Oriente Médio.

Um dos principais efeitos do conflito é a alta nos preços internacionais do petróleo, o que pressiona a inflação no país.

Em janeiro, quando encerrou a reunião que manteve a Selic em 15% ao ano, o Copom enxergava um cenário no qual poderia haver cortes na taxa, ou seja, um projetava uma inflação mais comportada.

No entanto, o conflito iniciado no último dia de fevereiro transformou a realidade. O barril do petróleo tipo brent – que é referência no mercado internacional – que variava em torno de US$ 70 chegou a romper a casa dos US$ 120.

Entenda a taxa Selic

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.

As variações nos preços do petróleo internacionais ocorrem , principalmente, por causa da interrupção do trânsito no Estreito de Ormuz. Passam por lá de 20% a 25% de todo o petróleo global, além de parte importante de todo o comércio global.

No fim da reunião do Copom de janeiro, os diretores do Banco Central que formam o colegiado adiantaram que, se a economia continuasse caminhando no mesmo sentido, haveria cortes na Selic. A mensagem foi reforçada na ata do colegiado divulgada em 3 de fevereiro.

“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz trecho da ata.

Combustíveis têm papel direito na composição da inflação oficial e ainda implicam os fretes – ou seja, podem resultar na elevação do preço de outros itens indiretamente.

Para tentar conter o possível efeito inflacionário do diesel — derivado do petróleo — no mercado interno, o governo federal adotou duas medidas para reduzir o preço do diesel em R$ 0,64 para as refinarias. Uma das iniciativas foi a de zerar os tributos federais PIS e Cofins sobre o combustível derivado do petróleo.

A outra ação do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi o compromisso em pagar uma subvenção aos produtores, no valor de R$ 0,32 por litro. No entanto, no dia seguinte, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro para as distribuidoras.

Como anda a inflação

A inflação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (12/3) apontou retração dos combustíveis em 0,47%. Isso ocorre porque o efeito da guerra, iniciada no fim de fevereiro, não foi capturado pelo instituto, uma vez que o índice se refere a fevereiro e as variações nos preços ocorreram em março.

Embora a inflação não tenha apurado alta, os preços já subiram, mesmo antes do aumento oficial nos preços por parte da Petrobras.

Os postos de combustíveis já recebiam diesel e gasolina com novos valores, conforme publicado pelo Metrópoles na última segunda-feira (9/3). Há locais em que o diesel foi entregue custando até R$ 0,80 a mais. Sindicatos dos postos relataram reajustes em Bahia, Goiás, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Dólar

Outro componente novo para o Copom refletir na tomada de decisão sobre a Selic é o dólar. A moeda norte-americana tem variado bastante nos últimos dias. Um dia antes do início do conflito, em 27 de fevereiro, a moeda fechou cotada a R$ 5,13 no Brasil. No entanto, houve variações desde então, e o dólar chegou a apresentar alta de 3,5% no último dia 6, quando bateu cotação de R$ 5,31.

O dólar em alta pode resultar em inflação, pois há produtos que são negociados globalmente, além de itens que o Brasil importa e a moeda norte-americana é a mais utilizada nestas transações.

O cenário transformado pela guerra já refletiu nas expectativas do mercado. Os analistas consultados pelo Banco Central para elaboração do Boletim Focus, realizado semanalmente, interromperam a sequência de redução na expectativa da inflação para o fim deste ano e aumentaram a previsão para a Selic.

A previsão da inflação estabilizou em 3,91% e a da Selic foi elevada de 12% para 12,13%. A expectativa de Selic mais elevada tem relação com a previsão de um ritmo mais lento na queda de juros no Brasil.

Em uma primeira revisão dos números da economia, o Ministério da Fazenda, considerando o cenário mais otimista para o fim da guerra, já elevou a projeção de inflação deste ano de 3,6% para 3,7%.

A meta de inflação para 2026 é de 3%. No entanto, há uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o índice é considerado cumprido se variar de 1,5% a 4,5%.

A inflação oficial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente aos 12 meses encerrados em fevereiro está em 3,81%.

Remédio

Na última terça-feira (10/3), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, preferiu não dar uma opinião sobre o que o Copom deve fazer em relação à Selic.

“O Banco Central, com base nos dados, vai verificar a conveniência de um movimento ou outro (redução ou alta da Selic). Isso é atribuição dos diretores que estão lá indicados para isso, para essa missão. Nós temos uma doença, um remédio, e o que o Banco Central faz é administrar a dose“, afirmou o ministro para jornalistas.

O resultado da reunião do Copom sobre a Selic será divulgado no fim da tarde da quarta-feira (18/3).

Por Deivid Souza


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