A decisão do ministro Dias Toffoli que suspendeu a propaganda eleitoral na internet de Renan Santos, candidato à Presidência do partido Missão, pegou de surpresa os integrantes da campanha, que apontam risco de dano irreparável à sua performance na disputa. O ministro apontou supostas irregularidades nos perfis oficiais do candidato nas redes sociais que teriam favorecido suas postagens. Após a decisão, a campanha divulgou vídeo com o candidato indignado, mas dizendo que não irá desistir.
"Esse aqui provavelmente é o último vídeo que você vai ver nas minhas redes sociais, [por] uma decisão do ministro Dias Toffoli. Aquele Dias Toffoli acaba de suspender minha campanha. Eu não posso produzir conteúdo em redes, eu não posso postar conteúdo. Eu não posso participar dos debates, eu não posso ir em sabatinas, eu não posso fazer praticamente nada. Eu não uso fundo eleitoral, mas se eu estivesse usando o dinheiro também teria sido suspenso. Não há nada a se fazer", afirmou.
Depois, em entrevista à imprensa, o candidato insinuou que a decisão tem motivação pessoal. Renan Santos lembrou que convocou diversas manifestações de rua neste ano reivindicando investigação sobre o ministro por causa da venda de parte do resort de sua família para um fundo operado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
"Eu duvido que esses elementos tenham alguma relação com o despacho profundamente democrático, profundamente técnico, refinado do ponto de vista jurídico, do ministro Dias Toffoli, um homem que chegou ao STF por conta claramente das suas incríveis capacidades jurídicas, da sua inteligência acima do comum, da sua disciplina e do seu foco de maneira imparcial na busca pela justiça. Nunca que um homem com esses predicados como o ministro Dias Toffoli iria se afetar por conta de manifestações pacíficas e democráticas", ironizou o candidato, em entrevista à imprensa.
Além de suspender a campanha digital, Toffoli intimou Renan Santos a informar, em 24 horas, os dados de cada perfil usado para propaganda, datas de criação e início das postagens com teor eleitoral, “sob pena de indeferimento do registro”.
O ministro é relator do registro de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem até 14 de setembro para julgar os pedidos. O julgamento seria realizado nesta segunda (31), mas Toffoli retirou o processo de pauta e ainda não há previsão de julgamento.
Renan Santos ainda pode participar de atos presenciais, como caminhadas, reuniões e eventos de rua. A propaganda impressa também está permitida.
Responsável pela defesa de Renan Santos no TSE, Arthur Rollo afirmou que "está havendo censura de propaganda”. Salientou que a campanha dura apenas 45 dias e argumentou que, mesmo que as redes do candidato voltem a fazer propaganda, o período da suspensão não pode ser recuperado.
“Isso cria uma insegurança jurídica, porque a ideia da legislação eleitoral é que, enquanto se está recorrendo, poder fazer campanha eleitoral, justamente para não ter esses riscos de danos irreparáveis”, disse à imprensa.
À noite, os perfis oficiais da campanha nas redes já estavam fora do ar. Em pronunciamento, a vereadora e coordenadora da campanha, Amanda Vettorazzo, convocou a militância do partido Missão para uma "guerra". "A campanha não pode parar. A gente não vai ter as páginas do Renan. A gente obviamente não tem recursos financeiros", afirmou. "A gente basicamente só tinha as redes sociais e vocês. Tiraram as redes, mas não vai tirar vocês."
A orientação é reforçar a divulgação da candidatura pelos apoiadores nas próprias redes. A lei eleitoral permite que pessoas naturais promovam candidatos, desde que não paguem as plataformas para impulsionar as postagens. Esse tipo de serviço só pode ser usado pelas próprias campanhas, mas agora não estará mais disponível para Renan Santos. O candidato também não tem tempo de propaganda no rádio e na TV.

- Por Renan Ramalho

- Por Rose Amantéa

- Por Diógenes Freire Feitosa
- 31/08/2026 às 22:59