MENU

Transparência é ampliada com recuo do governo em sigilo sobre processos de bets

Mudança de postura busca garantir maior transparência na atuação e fiscalização do setor de apostas online.

Compartilhar:
1781002808_8f0a6f4607570a3eb6d7.jpg
Após repercussão negativa de sigilo, Durigan e secretária de Prêmios e Apostas anunciam força-tarefa para liberar processos de bets. (Foto: Washington Costa/MF)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira (8) a criação de uma força-tarefa com a Controladoria-Geral da União (CGU) para publicar, de forma proativa, todos os processos concluídos de autorização de empresas de apostas on-line, as bets, no Brasil.

A medida ocorre após o jornal O Estado de S.Paulo revelar que o governo havia imposto um sigilo de 100 anos sobre documentos relacionados à liberação dessas empresas.

“Meu compromisso, como é o compromisso do presidente Lula, é o compromisso de dar transparência. Este governo não é o governo do sigilo, não é o governo que pretende guardar e omitir informação das pessoas”, disse o ministro, em entrevista coletiva.

A nova estratégia foca na transparência ativa, o que significa que o governo publicará os documentos sem esperar por pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Durigan afirmou que a divulgação dos documentos deve começar nos próximos dias.

Para viabilizar a divulgação sem ferir a legislação de proteção de dados, a Fazenda trabalhará em conjunto com a CGU para:

  • Ocultar CPFs, endereços e situações fiscais/bancárias de indivíduos;
  • Divulgar as razões legais e administrativas que levaram à aprovação ou não de cada empresa;
  • Alimentar um site com as informações à medida que os processos forem concluídos.

O recuo do governo aborda um ponto crítico que anteriormente foi usado para justificar a negativa de informações. Segundo o ministro, o “estoque de processos” envolve cerca de 25 mil documentos, que incluem dados sensíveis como origem de capital, imposto de renda e informações bancárias dos dirigentes das bets.

Sigilo de 100 anos

O Estadão revelou neste domingo (7) que o governo havia negado acesso a documentos da empresa 1xBet — uma operadora de origem russa banida em vários países, mas que atua legalmente no Brasil. O pedido foi feito por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Na ocasião, a Fazenda alegou que a anonimização dos dados exigiria um "esforço administrativo desproporcional" devido à restrição de força de trabalho na Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).

Fiscalização deve aumentar durante a Copa

Além da abertura dos dados, a secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Cardoso, informou que está intensificando ações de fiscalização, especialmente voltadas para a publicidade e marketing durante a Copa do Mundo 2026.

Estão previstas reuniões com o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e o Ministério Público para monitorar a propaganda de apostas, além da realização do primeiro seminário de jogo responsável no dia 16 de junho.

Por Camila Abrão



Junte-se ao Nosso Grupo! Receba notícias em primeira mão

Faça parte do nosso grupo WhatsApp.

Entrar Agora →