O uso de anticoncepcionais hormonais é comum entre mulheres que buscam um método contraceptivo – evitar gravidez – ou regular o ciclo menstrual. Nos últimos anos, porém, muitas pacientes estão questionando se o método pode afetar a saúde mental. Especialistas afirmam que existe relação entre hormônios e humor, mas o impacto varia muito de pessoa para pessoa.
Segundo a ginecologista e obstetra Monique Novacek, da Clínica Mantelli, alguns anticoncepcionais podem provocar mudanças emocionais porque interferem diretamente na regulação hormonal.
“Como esses métodos alteram os níveis de hormônios femininos, eles também podem influenciar substâncias ligadas ao bem-estar, como neurotransmissores relacionados ao humor. Por isso algumas mulheres relatam irritabilidade, ansiedade ou tristeza”, explica.
No entanto, a médica ressalta que nem todas as pacientes apresentam essas reações e que o tipo de anticoncepcional utilizado também faz diferença.
Diferença entre os tipos de anticoncepcional
A endocrinologista Ana Paula Barreto, do Hospital Mantevida, afirma que a maioria dos anticoncepcionais tende a estabilizar as oscilações hormonais do ciclo menstrual, o que pode inclusive melhorar sintomas como a tensão pré-menstrual.
Ainda assim, algumas mulheres podem perceber alterações no humor, como tristeza, falta de ânimo, insônia ou diminuição da libido.
“A resposta hormonal é muito individual. Algumas pacientes metabolizam estrogênio e progesterona de maneira diferente, o que pode influenciar o humor e outras funções do organismo”, explica.
De acordo com a especialista, anticoncepcionais orais costumam aparecer com mais frequência nas queixas relacionadas ao emocional, enquanto métodos como DIU hormonal e implantes tendem a apresentar menos efeitos.
Sintomas costumam ser leves e temporários
Para o psiquiatra Raphael Boechat, que atende no Hospital Santa Lúcia, os efeitos do anticoncepcional sobre o humor costumam ser discretos na prática clínica atual.
Ele explica que as pílulas modernas possuem doses hormonais menores do que as utilizadas décadas atrás, o que reduziu a ocorrência de efeitos emocionais importantes.
“Pode haver irritabilidade ou sensibilidade emocional em alguns casos, mas geralmente são sintomas transitórios. Na maioria das situações, não há evidência de que o anticoncepcional provoque um transtorno psiquiátrico permanente”, afirma.
O médico também destaca que o planejamento reprodutivo pode ter impacto positivo na saúde mental. Gravidezes não planejadas, segundo ele, podem gerar grande sobrecarga emocional em determinadas situações.
Quando procurar orientação médica
Os especialistas ressaltam que qualquer mudança significativa no humor após iniciar o anticoncepcional deve ser discutida com o profissional de saúde que indicou o método.
De acordo com Monique Novacek, interromper o uso por conta própria não é o mais indicado. “Se a paciente perceber alterações emocionais importantes, o ideal é conversar com o médico. Muitas vezes é possível ajustar a dose hormonal ou trocar o método contraceptivo”, afirma.
A escolha do anticoncepcional mais adequado leva em conta diversos fatores, como histórico de saúde, sensibilidade hormonal e estilo de vida da paciente.
Avaliação individual é essencial
Embora os anticoncepcionais possam provocar alterações de humor em algumas mulheres, especialistas reforçam que o método continua sendo considerado seguro para a maioria das pacientes.
Por isso, a recomendação é sempre buscar orientação médica antes de iniciar ou trocar o anticoncepcional. A avaliação individual permite identificar o método mais adequado e reduzir possíveis impactos na saúde mental.
Por Bianca Queiroz