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Uso de suplemento pode acelerar evolução do Alzheimer, diz estudo

Pesquisa encontrou associação entre um suplemento usado para articulações e a progressão mais rápida do Alzheimer

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Pesquisa associa suplemento ao avanço do Alzheimer; entenda

A glucosamina, suplemento amplamente utilizado para aliviar dores nas articulações, foi associada a uma progressão mais rápida do Alzheimer e de outras demências em um estudo publicado nessa terça-feira (9/6) na revista Nature Metabolism. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores analisaram registros de saúde de pacientes atendidos entre 2012 e 2024 e combinaram os resultados com experimentos em tecido cerebral humano e modelos animais. O objetivo era investigar o papel de alterações metabólicas no avanço da doença.

A equipe avaliou dados de 24.481 pacientes com Alzheimer e outras demências e de 41.884 pessoas com comprometimento cognitivo leve, condição que pode anteceder quadros de demência.

Após os ajustes estatísticos, o uso de glucosamina foi associado a uma probabilidade 25% maior de progressão do comprometimento cognitivo leve para demência. Entre pacientes que já tinham Alzheimer ou outras demências relacionadas, o suplemento também foi associado a um aumento de 25% no risco de morte durante o período analisado.

Segundo os pesquisadores, cerca de 8% dos pacientes avaliados utilizavam glucosamina. Entre eles, havia 1.896 pessoas com Alzheimer ou outras demências relacionadas e 2.750 com comprometimento cognitivo leve.

O que pode explicar a associação

Os cientistas identificaram uma alteração metabólica caracterizada pelo excesso de moléculas de açúcar ligadas a proteínas no cérebro. Em experimentos com camundongos, a glucosamina aumentou o processo e foi associada a um pior desempenho em testes de memória.

Já a redução da atividade da via metabólica levou à melhora dos resultados. A descoberta sugere que alterações metabólicas podem contribuir para a progressão do Alzheimer e podem representar um novo alvo para futuras terapias.

Os autores ressaltam que a pesquisa não demonstra que a glucosamina causa Alzheimer nem que o suplemento seja prejudicial para todas as pessoas que o utilizam.

A análise dos prontuários mostra apenas uma associação entre o consumo da substância e a evolução mais rápida da doença. Para confirmar uma relação de causa e efeito, serão necessários estudos clínicos específicos.

Por enquanto, a recomendação dos pesquisadores é que pessoas com Alzheimer, outras demências ou comprometimento cognitivo leve conversem com o médico antes de iniciar ou manter o uso de glucosamina.

Por Isabella França


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