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Vacinação no Brasil evolui, mas segue distante das metas estabelecidas

Coberturas cresceram nos últimos anos, porém a maioria das vacinas ainda não atingiu os índices recomendados

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Brasil melhora na vacinação, mas ainda não atinge maioria das metas

O Brasil chega ao Dia Nacional da Imunização, celebrado em 9 de junho, com sinais de recuperação nas coberturas vacinais após anos de queda. Apesar da melhora observada desde 2022, a maior parte das vacinas oferecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda não alcançou os índices considerados ideais para garantir proteção coletiva.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, apenas três dos 16 imunizantes recomendados no primeiro ano de vida atingiram as metas estabelecidas. Entre eles estão a BCG, que protege contra formas graves de tuberculose, a vacina contra hepatite B e a primeira dose da tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola.

Segundo Mayra Moura, gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista ao Butantan, os avanços são importantes, mas ainda insuficientes.

“Temos muito a comemorar, porque cada conquista é importante. Mas precisamos entender que mesmo quando atingirmos essas metas não podemos baixar a guarda. Sempre seguiremos vacinando, trata-se de uma ação contínua”, afirma.

A vacinação é considerada uma das estratégias de saúde pública mais eficazes já desenvolvidas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes contribuíram para cerca de 40% da redução da mortalidade infantil global nos últimos 50 anos.

Doenças controladas ainda preocupam

Embora os números mostrem recuperação gradual, especialistas alertam que coberturas abaixo das metas aumentam o risco de reintrodução de doenças já controladas no país.

Um dos exemplos é a poliomielite. O Brasil não alcança a meta de 95% de vacinação contra a doença desde 2016. Em 2025, nenhum estado atingiu esse índice e, até abril de 2026, a cobertura da vacina injetável contra a poliomielite estava em 85,16% entre menores de um ano.

“As metas de cobertura são estipuladas para reduzir consideravelmente a incidência de uma doença ou até mesmo eliminá-la. Quando não conseguimos atingir esse índice, uma parte da população ainda fica bastante suscetível. Estamos falando de doenças que se espalham rapidamente”, explica Mayra.

O sarampo também segue no radar das autoridades. Em março deste ano, um bebê de seis meses contraiu a doença após uma viagem à Bolívia. Como ainda não tinha idade para receber a vacina, a proteção dependia da chamada imunidade coletiva, obtida quando a maioria da população está vacinada.

HPV e gripe estão entre os desafios

A vacinação contra o HPV continua entre os maiores desafios do calendário nacional. Indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, ela ainda não alcançou a meta de 90% de cobertura.

Em 2026, a cobertura está em 74,14% entre meninas e 66,14% entre meninos. Os menores índices são observados justamente aos 9 anos, idade recomendada para o início da imunização.

Outro cenário que preocupa é o da vacina contra a gripe. Em 2025, a cobertura dos grupos prioritários ficou pouco acima da metade do público-alvo em boa parte do país.

Hesitação vacinal segue como obstáculo

Para a especialista, a circulação de informações falsas sobre vacinas continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar as coberturas.

“As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros que existem. Assim como qualquer produto, no Brasil elas passam por uma avaliação rigorosa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, antes de serem aplicadas na população”, afirma.

Ela lembra que o monitoramento continua mesmo após a aprovação dos imunizantes. Segundo Mayra, a vigilância acompanha continuamente possíveis eventos adversos para garantir que os benefícios da vacinação permaneçam superiores aos riscos.

“Na maioria das vezes, as vacinas desencadeiam reações leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e mal-estar, que duram poucos dias”, conclui.

Por Ravenna Alves


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