
A história das eleições para governador de Rondônia mostra que decidir a sucessão estadual ainda no primeiro turno sempre foi uma situação excepcional. Desde que os rondonienses passaram a escolher diretamente o chefe do Poder Executivo estadual, a grande maioria das disputas precisou avançar para uma segunda votação ou ocorreu antes da implantação do atual sistema de dois turnos.
A primeira eleição direta para governador de Rondônia aconteceu em 1986, quando Jerônimo Garcia de Santana foi escolhido pelo voto popular. Ele tomou posse em março de 1987 e entrou para a história como o primeiro governador eleito diretamente pelos rondonienses desde a criação do antigo Território Federal do Guaporé. Naquele momento, entretanto, a eleição estadual ocorreu em turno único, antes das regras atualmente aplicadas às eleições majoritárias.

Com a Constituição Federal de 1988 e a adoção do sistema de dois turnos para eleições majoritárias, Rondônia passou a registrar sucessivas disputas decididas somente na etapa final. Oswaldo Piana, Valdir Raupp, José Bianco, Ivo Cassol em seu primeiro mandato, Confúcio Moura e Marcos Rocha, em diferentes eleições, chegaram ao Governo depois de disputas que avançaram além do primeiro turno.
Um exemplo foi a eleição de 1998. José Bianco terminou o primeiro turno com 35,31% dos votos válidos, contra 34,31% de Valdir Raupp. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta, houve segundo turno, quando Bianco venceu com 53,60%.
Ivo Cassol conseguiu feito histórico em 2006

O episódio que rompeu essa sequência ocorreu em 2006. Governador desde 2003, Ivo Cassol conquistou a reeleição diretamente no primeiro turno, alcançando maioria absoluta dos votos válidos e dispensando uma nova votação.
Os registros da Justiça Eleitoral mantêm a base oficial dos resultados das eleições de 2006, enquanto o Senado Federal confirma a trajetória de Cassol como governador entre 2003 e 2010, em dois mandatos consecutivos.
Até então, dentro do sistema eleitoral de dois turnos vigente após a redemocratização, Cassol permanecia como o caso isolado de governador de Rondônia eleito diretamente no primeiro turno.
Depois dele, as eleições estaduais voltaram a ser decididas em segundo turno. Confúcio Moura conquistou o Governo e posteriormente a reeleição após disputas em duas etapas, enquanto Marcos Rocha também chegou ao Palácio Rio Madeira e conquistou novo mandato em eleições que tiveram segundo turno.
Eleição de 2026 entra para a história

A eleição deste 4 de outubro de 2026 acrescenta um novo capítulo a essa trajetória. Durante a apuração deste domingo, 4 de outubro, Marcos Rogério ultrapassou a marca de 50% dos votos válidos e manteve vantagem suficiente para encaminhar a definição da disputa estadual ainda no primeiro turno. Às 17h20, com 47,98% das urnas apuradas, ele aparecia com 54,14% dos votos válidos; pouco depois, com cerca de 60% da apuração concluída, o cenário continuava apontando para uma decisão sem necessidade de segundo turno.
Confirmada pela totalização oficial da Justiça Eleitoral a vitória já anunciada na apuração deste domingo, Marcos Rogério passa a integrar um grupo extremamente restrito na política de Rondônia: o dos governadores eleitos no primeiro turno sob o atual sistema eleitoral.
Na prática, a cronologia deixa uma divisão clara: Jerônimo Santana foi o primeiro governador eleito diretamente, em 1986, numa eleição de turno único; Ivo Cassol, em 2006, tornou-se o primeiro a vencer no primeiro turno dentro do sistema de dois turnos; e a eleição de 2026 passa a representar apenas a segunda ocorrência desse tipo na história eleitoral contemporânea de Rondônia, caso a totalização oficial confirme o resultado.
A raridade do feito demonstra o histórico de disputas equilibradas pelo Governo de Rondônia. Ao longo de quatro décadas de eleições diretas, a regra foi a necessidade de uma segunda votação para que o eleitorado definisse quem comandaria o Estado pelos quatro anos seguintes.
Nelson Salles da Redação
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